Fernando Corona

Fernando Corona nasceu no dia 26 de novembro de 1895, na cidade de Santander, na Espanha. Seu pai, Jesus Maria Corona era escultor e arquiteto, maçom e republicano; viveu e trabalhou na França e em várias cidades espanholas. Em novembro de 1909, houve vários movimentos republicanos na Espanha, contra a monarquia. Jesus Maria Corona envolveu-se nos conflitos, e teve de se exilar na Argentina, para não ser fuzilado. O empreiteiro e escultor gaúcho João Vicente Friederichs encontrou Jesus Maria Corona em Buenos Aires e o contratou para trabalhar na sua oficina em Porto Alegre. O contrato tinha vigência por dois anos, porém ele acabou ficando no Brasil. Trabalhou modelando esculturas para as obras do Dr. Rodolfo Ahrons e, posteriormente, se estabeleceu com um atelier de ornatos, figuras e projetos de arquitetura (CORONA, 1968).

Em 1911 a mãe de Fernando Corona mandou-o para Porto Alegre buscar o pai. Ele chegou à cidade em 04 de março de 1912 e acabou ficando, vinculando-se inicialmente à oficina de Friederichs. Em 1914, passou a trabalhar como escultor-decorador na firma de seu pai, Corona e Guiringuelli. Ajudou Jesus Maria Corona a desenvolver, entre 1917 e 1919, os projetos da nova catedral de inspiração gótica para Porto Alegre, vencido por este em um concurso internacional e cuja construção acabou não sendo realizada[1]. Desiludido, Jesus Maria Corona, extinguiu a empresa e viajou para Pelotas. Fernando Corona permaneceu em Porto Alegre e se associou a Alfred Steage, ainda trabalhando com ornatos e figuras nas decorações de fachadas de prédios.  Após o retorno de seu pai à Espanha, em 1922, reabriu a empresa Corona e Guiringuelli. Em 1926, ele foi contratado pela firma construtora Azevedo Moura e Gertum, onde trabalhou por vinte anos.

Fotografia de Fernando Corona, s/d,

Fonte: Álbum nº I de Escultura dos Alunos de 1938 até 1956, elaborado por Fernando Corona,

Arquivo Histórico do Instituto de Artes/UFRGS (AHIA/UFRGS)

 

Anteprojeto da Catedral de Porto Alegre, de autoria de Jesus Maria Corona, 1915 –1919.

Fonte: BECKER, Dom João. A Cathedral Metropolitana de Porto Alegre. Sétima Carta Pastoral. Porto Alegre: Selbach, 1919.

Embora sem formação superior, ou mesmo profissionalizante, tendo cursado apenas os quatro primeiros anos primários de educação formal[2], Corona tornou-se arquiteto e escultor, na prática. Entre o final de década de 1910 e o inicio da década seguinte, colaborou com capas para a revista Máscara, com desenhos ou modelando esculturas em barro que eram fotografadas.

 

Capa de Fernando Corona para a revista Máscara, ano VI, nº 1, maio de 1924.

AHIA/UFRGS

Constituindo família em Porto Alegre, Fernando se casou em 1920 com Benvenuta Rossi. O casal teve o filho Eduardo em 1921, arquiteto e depois catedrático da Faculdade de Arquitetura da USP; em 1923 nasceu a filha Marina Eletra; um ano depois nasceu o filho Luis Fernando, que se tornou igualmente arquiteto. Ao ser proclamada a república espanhola, Fernando Corona quis voltar à Espanha para trabalhar e estudar, mas as sucessivas encomendas e projetos selecionados para a empresa Azevedo & Gertum, acabaram fazendo com que ele permanecesse em Porto Alegre.

As suas realizações arquitetônicas estão presentes em vários prédios públicos e residências privadas de Porto Alegre. Em 1925, Fernando Corona venceu um concurso para o prédio do Hospital Modelo (atual Hospital São Francisco), contíguo à Irmandade Santa Casa de Misericórdia; em 1926 foi responsável pelo projeto das fachadas e das decorações escultóricas do Banco do Comércio, atual sede do Santander Cultural; para as comemorações do Centenário Farroupilha de 1935, projetou o prédio do Instituto de Educação General Flores da Cunha, que no evento foi utilizado como Pavilhão Cultural. Também foi autor do projeto do novo prédio para a sede do IBA, inaugurado em 1943. Uma primeira versão que continha um museu anexo, não foi realizada[3].

 

Fachada do prédio do Santander Cultural (antigo Banco do Comércio).

Foto: Elvio Rossi

Fotografia do prédio do atual Instituto de Educação General Flores da Cunha (antiga Escola Normal) Fonte: Catálogo Geral da Exposição Farroupilha, de 1935.

AHIA/UFRGS

Projeto (não realizado) de Fernando Corona de conjunto arquitetônico do Instituto de Belas Artes com os anexos, que incluíam um museu.

AHIA/UFRGS

Perspectiva sombreada do prédio do Instituto de Belas Artes

Desenho original em papel vegetal de Fernando Corona, 1942, AHIA/UFRGS

Como escultor participou das exposições do Centenário Farroupilha, onde conquistou a medalha de ouro; esteve presente também do 1o Salão Sul-Riograndense de Belas Artes, promovido em 1939, pelo IBA. Teve obras suas no 1º Salão Pan-Americano de Artes do IBA, em 1958. Muitas de suas esculturas estão em locais públicos e coleções privadas, além de ornamentarem fachadas de edifícios; outras se encontram no Acervo Artístico da Pinacoteca Barão de Santo Ângelo, do Instituto de Artes da UFRGS, e em outros locais do prédio, como no 8º andar, onde está o painel em terracota realizado para o Cinquentenário do IBA, em 1958. O Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli (MARGS) tem uma escultura de Fernando Corona [4]

Foi contemplado com inúmeras premiações em salões, como o 7º Salão Oficial de Belas Artes do RS, de 1956, no qual obteve medalha de ouro em escultura. Em âmbito nacional, conquistou em 1933 a medalha de bronze no Salão Nacional de Belas Artes, e em 1940 recebeu a medalha de bronze em arquitetura. Fernando Corona, além de participar como expositor nos salões, em muitos deles, fez parte do júri, ou mesmo da comissão organizadora.

 

Máscara cubista de Borges de Medeiros, 1924, escultura em gesso, 34 x 21 x 20 cm. Pinacoteca Barão de Santo Ângelo.

Fonte: http://www.ufrgs.br/acervoartes/obras/escultura/escultura/fernando-corona-6/view

Picasso, 1958 , escultura em pedra, 53 x 27 x 48 cm. Pinacoteca Barão de Santo Ângelo.

Fonte:http://www.ufrgs.br/acervoartes/obras/escultura/escultura/fernando-corona/view

Inca, s/data, escultura em bronze polido, 46,6 x 19,2 x 22,5 cm

Museu de Arte do Rio Grande do Sul Ado Malagoli

Fonte: http://www.margs.rs.gov.br/catalogo-de-obras/F/16188/

Sem título, 1955 , 270 x 212 cm, painel em terracota, 8º andar do prédio do IBA, antigo salão de festas.

Fonte: http://www.ufrgs.br/acervoartes/obras/mural/mural/fernando-corona/view

Corona foi bastante favorável à Semana de Arte Moderna de São Paulo, realizada, como sabemos, em 1922. Para ele - assim como para Gonzaga Duque e Mário de Andrade (cujos textos Fernando Corona admirava) - houve uma redescoberta da verdadeira arte nacional, da arte barroca de Aleijadinho, do mestre Valentim e do mestre Ataíde, entre outros, que estaria adormecida desde a chegada da missão francesa e a fundação da Academia Imperial de Belas Artes, nos moldes neoclássicos franceses.

Fernando Corona cita Mário de Andrade, como símbolo desta transformação, juntamente com Heitor Villa-Lobos, na música; Candido Portinari, na pintura; e na arquitetura, Lucio Costa e Oscar Niemeyer, que: “retomaram o espírito expressionista da forma e sua função, na época do concreto armado e do vidro, e no risco curvilíneo de suas obras” (CORONA, 1977, p.117).  Em Porto Alegre, Corona diagnostica, que em 1922, na escultura tudo o que se fazia era decorativo; na pintura Libindo Ferraz, que ele considerava acadêmico, era o nome de ponta: a arquitetura era projetada por desenhistas e executada por mestres de obras; a poesia era parnasiana ou simbolista.

Por isso, a partir das ideias e propostas da Semana de Arte Moderna de São Paulo, Fernando Corona tentou, juntamente com outros artistas, professores e intelectuais, autodenominados "Os 13"[5], organizar algo semelhante na capital gaúcha, surgindo em 1925, o Salão de Outono de Porto Alegre, que aconteceu no prédio da Intendência Municipal.  Numa crônica publicada no Correio do Povo, em 1968, ele relata como foi gestado o Salão, a partir da convivência com o pintor Helios Seelinger, “sem dúvida quem nos fez acordar do marasmo” (CORONA, 1977, p. 150), e dos encontros na Casa Jamardo, loja de móveis, que servia eventualmente de galeria para exposição de obras de artistas locais, e também no Bar e Restaurante Antártica, localizado nos baixos do Metrópole Hotel, na esquina do largo dos Medeiros e Rua Ladeira.

 

Fotografia de 1924, publicada no Correio do Povo, em 1968, onde aparecem “Os Treze” na noite em que idealizaram o Salão de Outono, nas dependências do Bar e Restaurante Antártica.

Fernando Corona é o segundo da direita para a esquerda. (com o braço apoiado sobre a mesa).

Fonte: Correio do Povo, Caderno de Sábado, 23/11/1968, p.13, Caderno de Crônicas de Fernando Corona, 1967-1973.

Fotografia da inauguração do Salão de Outono de Porto Alegre, em 24 de maio de 1925,

no prédio da Intendência Municipal de Porto Alegre.

À esquerda da foto identificamos Fernando Corona (terno branco com braços cruzados)

Fonte: Revista Máscara. Porto Alegre, ano VII, nº 7, jun. 1925.

Em 1938, Fernando Corona foi convidado por Tasso Corrêa, então diretor do IBA, para implantar a cadeira de Escultura naquela instituição, a qual ele dividiu em Escultura e Modelagem[6]. A disciplina de Modelagem (obrigatória) era destinada a todos os estudantes de Artes Plásticas, e o professor trabalhava com grandes grupos e rígidos projetos com tempo para serem executados; a disciplina de Escultura (eletiva) era destinada a pequenos grupos e a aprendizagem seguia o ritmo individual. Corona era orientador em tempo integral para este grupo restrito, inclusive acompanhando os discípulos em suas carreiras posteriores.  No entanto, sempre aproveitou para reproduzir e repassar o conhecimento adquirido para as novas gerações através dos ambientes do IBA. Ele mesmo dizia que era um “escultor de escultores”.

Depois que Fernando Corona ingressou no IBA é impossível separar o artista, o docente e o agente institucional. Ele socorreu por diversas vezes o Instituto nas suas relações tumultuadas com o poder público e com a UFRGS. Apesar de não ocupar cargo administrativo Corona foi peça fundamental no reconhecimento do IBA, em 1939, no Rio de Janeiro, e em 1962, em Brasília, quando se conseguiu a reintegração do Instituto na UFRGS[7].

 

Em 1944 foi um dos fundadores do Curso Superior de Arquitetura do IBA, onde também lecionou até 1950. Com a criação da Faculdade de Arquitetura da UFRGS, ele não foi mais aceito como docente naquele curso, porém continuou atuando no curso de Artes Plásticas até 26 de novembro de 1965, quando se aposentou pela compulsória, ao atingir a idade de 70 anos. 

Porém, Corona, não ficou vinculado somente ao Instituto, circulando muito bem em outras instâncias, como a Associação Riograndense de Artes Plásticas Francisco Lisboa (AFL), também chamada de Chico Lisboa, fundada em 1938, por artistas que não conseguiam espaço para expor e que se reuniram com o objetivo de tornar públicos os seus trabalhos. Corona participou ativamente das primeiras atividades da Associação, embora essa instituição tivesse sido criada justamente como um contraponto à oficialidade do IBA.

Paralelamente à sua atividade como escultor, arquiteto e professor, dedicou-se à vida intelectual e às letras. Sua atuação extrapolou a sala de aula, escrevendo sobre as artes plásticas e suas condições locais, expondo suas concepções estéticas para um público externo à academia. Fernando Corona escreveu eventualmente para o Correio do Povo (embora tenha publicado textos também para outros veículos de comunicação impressa, como a Revista do Globo), desde 1940 até 1979, ano de seu falecimento. Seus escritos eram publicados, na grande maioria das vezes, no editorial do jornal. Além de críticas de arte, escreveu e publicou crônicas de viagens e artigos diversos relacionados a assuntos locais. [8]

As suas ligações afetivas - através do seu filho e também arquiteto, Eduardo Corona - com Oscar Niemeyer e Lúcio Costa reforçaram uma nova visão do seu tempo e das novas necessidades que o exercício da arquitetura estava impondo ao Brasil, um país emergente e em mudanças. O contato de Fernando Corona, com artistas como Bruno Giorgio, Alberto da Veiga Guignard, Cândido Portinari; sua admiração por Victor Brecheret e a atualização permanente acompanhando as vanguardas modernistas e as novidades no mundo da arte mundial, o faziam vibrar com todas as Bienais de São Paulo. Participou desde a primeira, em 1951, e costumava organizar excursões com os alunos do IBA, escrevendo artigos e críticas que publicava enaltecendo os certames. Nas suas viagens para o exterior, de estudos ou com fins turísticos, Fernando Corona sempre procurava se atualizar com o que acontecia no mundo das artes e costumava publicar relatos sobre suas experiências.

 
 
 

Fotografia de Fernando Corona e alguns de seus alunos.

A escultura é de autoria de Leda Flores e participou do 1º Salão Pan-Americano de Arte, de 1958.

Fonte: Álbum nº II de Escultura dos Alunos de 1957 até 1965, elaborado por Fernando Corona, AHIA/UFRGS

Fotografia com Fernando Corona e Dorothéa Vergara em Congonhas do Campo, 1948.

Fonte: Álbum nº I de Escultura dos Alunos de 1938 até 1956, elaborado por Fernando Corona, AHIA/UFRGS

A formação autodidata e pessoal de Corona estava vinculada ao fazer coletivo, e a partir do exercício da docência e da posição ocupada na sociedade passou a interagir com muita intensidade na circulação da arte em Porto Alegre. Os seus vínculos com as novas gerações de artistas plásticos, a partir do IBA, e a sua atuação em diversas esferas, como na arquitetura, na escultura pública e residencial, fizeram com que circulasse livremente em vários campos, com a mesma desenvoltura. Fernando Corona, não só assistiu, mas participou do processo de formação do sistema artístico local, onde a arte foi ganhando espaço em galerias, pinacotecas, associações e museus. Ele defendia uma arte autóctone com uma identidade própria e, ao mesmo tempo, universal; tomava posições, enaltecendo muitas vezes, artistas desconhecidos; tinha o desejo de que a arte pudesse chegar até o povo, que este pudesse ter acesso a ela e entendê-la. 

Contudo, Fernando Corona não se restringiu ou se prendeu a esse sistema das artes plásticas emergente, foi mais além, reagindo conforme as mudanças do seu tempo, acatando as novidades que vinham de fora, e atuando na promoção de mudanças significativas no campo artístico local. Ele é uma fonte preciosa da memória artística local, desde a década de 1920 até a década de 1970, o que pode ser claramente provado através de seus inúmeros registros escritos e documentados.

Parece-me evidente que ele era um homem do seu tempo, apesar – e talvez, justamente por isso - de suas posições estéticas serem bastante flexíveis, e por possuir uma formação autodidata, construída a partir de estudos e leituras; pela curiosidade e constante inquietude. Corona parecia reagir ao seu tempo, sem barreiras doutrinárias preestabelecidas, assimilando as novidades e disseminando-as aos que conviviam com ele e também ao grande público, seu leitor. Como ele mesmo afirmou em um dos seus textos: “Sou um mísero mortal arrastado pela corrente porque teimo em querer ser um homem do meu tempo.” (CORONA, 1977, p. 80).

REFERÊNCIAS

 

Livros e artigos em periódicos

 

BECKER, Dom João. A Cathedral Metropolitana de Porto Alegre. Sétima Carta Pastoral. Porto Alegre: Selbach, 1919.

BRITES, Blanca. [et al.]. 100 anos de artes plásticas no Instituto de Artes da UFRGS: três ensaios. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2012.

 

CANEZ, Anna Paula. Fernando Corona e os caminhos da arquitetura moderna em Porto Alegre. Porto Alegre: Unidade Editorial/Faculdades Integradas do Instituto Ritter dos Reis, 1998.

 

CORONA, Fernando. Fidias, Miguel Angelo, Rodin. Porto Alegre: Imprensa Oficial, 1938.

 

______. 50 anos de formas plásticas e seus autores. In. BECKER, Klaus. (Org.). Enciclopédia Rio-Grandense. 3º volume: O Rio Grande Atual. Canoas: Editora Regional Ltda, 1957, p. 217-270.

 

______. 100 anos de formas plásticas e seus autores. In: BECKER, Klaus. (Org.). Enciclopédia Rio-Grandense. 2º volume: O Rio Grande Antigo. 2. ed. Porto Alegre: Sulina, 1968, 141-161.

 

______. Caminhada nas artes (1940-76). Porto Alegre: Ed. da UFRGS/Instituto Estadual do Livro, 1977.  

 

GOMES, Paulo. Academicismo e modernismo: possíveis diálogos. In: BRITES, Blanca [et. al]. 100 anos de artes plásticas no Instituto de Artes da UFRGS: três ensaios. Porto Alegre: Editora da UFRGS, 2012, p. 17-75.

 

ROSA, Renato; PRESSER, Decio. Dicionário de artes plásticas no Rio Grande do Sul. Porto Alegre: Ed. Universidade/UFRGS, 1997.

 

ROSSI, Elvio Antônio. Fernando Corona: um crítico na “província”. Revista Ciclos, Florianópolis, v. 2, n. 3, ano 2, p. 103-116, dez. 2014.  Disponível em: <http://revistas.udesc.br/index.php/ciclos/article/viewFile/4908/3931>. Acesso em: 03 out. 2016.

 

SIMON, Círio. Conceitos pedagógicos de Fernando Corona (1895-1979) no ensino das artes visuais. In: BULHÕES, Maria Amélia (Org.) Artes plásticas no Rio Grande do Sul: pesquisas recentes. Porto Alegre: Editora da UFRGS; Programa de Pós Graduação em Artes Visuais, 1995, p. 63-83.

 

 

Trabalhos de conclusão de curso, dissertações e teses

 

ROSSI, Elvio Antônio. Pensando com arte: as críticas de Fernando Corona sobre artes plásticas (1958-1970). 2013. Trabalho de Conclusão de Graduação. (Bacharelado em História da Arte). Instituto de Artes, UFRGS, Porto Alegre, 2013. Disponível em: <http://hdl.handle.net/10183/97686>. Acesso em: 03 out. 2016.

SIMON, Círio. Origens do Instituto de Artes da UFRGS: etapas entre 1908-1962 e contribuições na constituição de expressões de autonomia no sistema da artes visuais do Rio Grande do Sul. 2002.  660 f. Tese (Doutorado em História) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, PUC/RS, Porto Alegre, 2002. Disponível em<http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/2632/000323582.pdf>: . Acesso em: 03 out. 2016.

 

Revistas

 

Máscara, ano VI, nº 1, maio de 1924.

 

Máscara, ano VII, nº 7, maio de 1924.

 

Material inédito de Fernando Corona

 

Álbum nº I de Escultura dos Alunos do Instituto de Belas Artes de 1938 até 1956, elaborado por Fernando Corona, AHIA/UFRGS.

 

Álbum nº II de Escultura dos Alunos do Instituto de Belas Artes de 1957 até 1965, elaborado por Fernando Corona, AHIA/UFRGS.

 

Caderno de Crônicas de Fernando Corona, 1944-1959, AHIA/UFRGS.

 

Caderno de Crônicas de Fernando Corona, 1961-1966, AHIA/UFRGS.

 

Caderno de Crônicas de Fernando Corona, 1967-1973, AHIA/UFRGS.

 

Caminhada de Fernando Corona: donde se conta como sai de casa e aqui fiquei para sempre; nasci em um lugar e renasci em outro, onde encontrei amor, tomo I – Um homem como outro qualquer, nascer num lugar e renascer em outro, diário manuscrito, s/d, AHIA/UFRGS.                                                                              

 

Caminhada de Fernando Corona: donde se conta como sai de casa e aqui fiquei para sempre; nasci em um lugar e renasci em outro, onde encontrei amor, tomo II – Um homem como outro qualquer, nascer num lugar e renascer em outro, diário manuscrito, 1975, AHIA/UFRGS.      

                                                             

 

Internet

 

ACERVO ARTÍSTICO DA PINACOTECA BARÃO DE SANTO ÂNGELO DO INSTITUTO DE ARTES DA UFRGS. Disponível em: < http://www.ufrgs.br/acervoartes/>. Acesso em: 03 out. 2016.

MUSEU DE ARTE DO RIO GRANDE DO SUL ADO MALAGOLI - MARGS. Disponível em: <http://www.margs.rs.gov.br/>. Acesso em: 03 out. 2016.

NOTAS

 

[1] A questão da catedral metropolitana que não saiu do papel gerou uma acalorada discussão no jornal Correio do Povo, a partir de uma crônica publicada por Fernando Corona, em 15 mai. 1966, cujo título é “Sonho Perdido”, na qual ele se refere à mágoa de seu pai, por não ter recebido nada pelo trabalho, além do prêmio do concurso, e atribuindo a não execução por intrigas. O artigo de Corona, incomodou o Monsenhor João Maria Balém, que no mesmo jornal, em 19 jun. 1966, critica o texto de Corona, e diz que o motivo da recusa, não foram intrigas, mas o “veredictum” da Escola de Engenharia, que julgou o projeto inexequível em Porto Alegre, devido à necessidade de material como pedra ou mármore, e à indisponibilidade de recursos para desenvolver a obra: “[...] nenhuma intriga mas a nenhuma possibilidade de ingentes recursos foi o que derrotou o projeto”. Corona anota a caneta no recorte da reportagem anexo ao seu caderno de crônicas: “O padre João Maria Balém tem pouca memória. Disse umas inverdades que eu respondi na mesma página do Correio no domingo 26 de junho.” No jornal, responde ao Monsenhor, como promete, iniciando o seu texto com as seguintes palavras: “Costumo escrever, como digo sempre, com o coração, não esquecendo, quando posso, paz e amor.” Ele corrige a autoria de obras que foram atribuídas a Jesus Maria Corona pelo padre, dizendo que eram dele. Diz que o pai propôs a construção em concreto armado, “material de nossa época”, e que o projeto fora encomendado, porém sem contrato. “Meu pai não fizera contrato algum com a Comissão de Construção da Catedral. Para meu pai a palavra valia por um contrato.” De acordo com Fernando Corona, um dia um membro da Comissão de Construção foi ao escritório para cancelar o projeto, alegando que a obra não poderia ser construída e que desejavam uma catedral em pedra. Ele finaliza o texto assim: “Perdoe-me Monsenhor, se o feri em algo que minha deficiência intelectual não alcança, só a perfeição absoluta o sabe.”  Não pretendo  tomar nenhum partido, nem induzir a “uma verdade”, até porque os fatos estão muito distantes no tempo, e já estavam na época em que foram escritos esses textos no jornal. Porém, os trechos citados acima mostram como era o modo de escrita de Fernando Corona, o seu estilo, sua capacidade de elocução e clareza na escolha das palavras, sua humildade e ironia. Penso que aqui se configura um bom exemplo para o leitor. (voltar ao texto na nota 1)

[2] No Dicionário de Artes Plásticas no Rio Grande do Sul, elaborado por Renato Rosa e Decio Presser (1997), encontramos a afirmação de que Fernando Corona teria vindo para o Brasil com o diploma da Escola de Belas-Artes de Vitória, Espanha. Este dado não confere com os registros nos diários de Corona e com as informações de Círio Simon (1995, 2002). (voltar ao texto na nota 2)

[3] Para um detalhamento de suas realizações arquitetônicas, sugiro a leitura do livro de Anna Paula Canez (1998), onde a autora faz um levantamento exaustivo, bastante aprofundado e abundantemente ilustrado. (voltar ao texto na nota 3)  

[4] Paulo Gomes (2012, p. 54) chama a atenção para o fato de que ainda não houve um olhar abrangente sobre a produção artística de Fernando Corona, agravado, em grande parte, pela dispersão das suas obras. (voltar ao texto na nota 4)

[5] O grupo era constituído por: Dr. Fábio de Barros, médico, jornalista e crítico de arte; Helios Seelinger, pintor; Argentino Brasil Rossani, cônsul e pintor; Francis Pelicheck, pintor e professor; Tasso Corrêa, professor de piano; José Rasgado Filho, ilustrador; João Santana, professor de latim e grego; Bernardo Jamardo, entalhador moveleiro e marchand; Lorenzo Picó, José Delgado e Afonso Silva, pintores, e Fernando Corona. O décimo terceiro era uma espécie de coringa. Consta no catálogo que os iniciadores do Salão de Outono foram: Dr. Fábio de Barros, Helios Seelinger, Bernardo Jamardo, João Santana, José Rasgado Filho e Fernando Corona. O Salão de Outono foi inaugurado em 24 de maio de 1925, marcando a primeira iniciativa do gênero no estado. Foram expostas 305 obras de 62 artistas, com ampla divulgação na imprensa.  (Cf. CORONA, 1977, p. 150-152) (voltar ao texto na nota 5)

[6] O currículo autodidata de Fernando Corona teria fascinado Tasso Corrêa, que o contratou “ad referendum”, para ser o professor de Escultura e Modelagem do Curso de Artes Plásticas. Depois de conseguir arrancar, essa aprovação, em duas tumultuadas sessões do Conselho Técnico Administrativo da entidade, concedeu a Fernando Corona carta branca para a criação, implementação e implantação efetiva da cadeira. Estas informações, outros detalhes, e documentação relativa a esse processo podem ser encontradas em Simon (2002). (voltar ao texto na nota 6)

[7] Em 1908 foi criado o Instituto Livre de Belas Artes e, em 1910, a Escola de Artes Plásticas, vinculada ao Instituto. O IBA foi incorporado à Universidade de Porto Alegre, em 1936, e, no ano de 1939 foi desanexado, voltando a ser uma escola particular. Em 1941, obteve o reconhecimento do Governo Federal. Em 1945 foi reincorporado à Universidade, sendo novamente desanexado, no ano seguinte, porém, considerado pela União como Escola Superior. Dois anos depois, essa decisão foi anulada e o IBA voltou à Universidade. Em 1950, ocorreu a federalização da Universidade, e os cursos do IBA ficam vinculados diretamente ao Ministério da Educação. Somente em 1962, o IBA foi definitivamente incorporado à UFRGS, tendo o nome alterado em 1963, para Escola de Belas Artes. Com a reforma universitária de 1967 o nome foi novamente modificado para Instituto Central de Artes, posteriormente abreviado para Instituto de Artes (IA/UFRGS). Para maiores detalhes e informações sobre esse processo, sugerimos a leitura da tese de Círio Simon (2002).  Um histórico do Instituto também pode ser encontrado em Brites [et al.] (2012) (voltar ao texto na nota 7)

[8] Para maiores detalhes da produção de Fernando Corona como crítico de arte, seu pensamento e expressão, ver o TCC de Elvio Rossi, constante nas referências, do qual este  texto é um excerto. (voltar ao texto na nota 8)

 
 
 

COMO CITAR ESSE TEXTO​

ROSSI, Elvio Antônio. Fernando Corona. HACER - História da Arte e da Cultura: Estudos e reflexões, Porto Alegre, 2016. Disponível em: <http://www.hacer.com.br/fernandocorona>. Acesso em: [dia mês. ano].

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